Processo seletivo no exterior


Curriculo

Os 10 anos de experiência na área de TI me deram a oportunidade de realizar uma quantidade considerável de entrevistas, que, no Brasil variavam sempre de prova técnica e ou contato direto com a área de trabalho para uma análise do meu currículo / projetos trabalhados, pouquíssimas vezes realizei testes psicológicos e dinâmicas, acho que somente em entrevistas para estágio!

Quando vim trabalhar por aqui, uma pergunta que sempre me faziam é: Como é o processo seletivo no exterior?

Para responder a esta pergunta, decidi realizar uma pesquisa entre os meus conhecidos que trabalham no exterior e adicionar as minhas experiências pessoais, portanto, não assumam o que digo como verdade definitiva, são conclusões das situações que passei com as situações informadas por outros profissionais.

Em países como Bélgica e Irlanda, o processo aparentemente não possui tanta variação em relação ao do Brasil. Foram realizadas perguntas relacionadas ao currículo e detalhes dos projetos mencionados + perguntas técnicas (provas ou perguntas diretas).

Aqui na Inglaterra, o processo varia muito dependendo dos seguintes fatores:

  • Área de negócio do contratante;
  • Se a vaga é para o equivalente a CLT do Brasil (aqui chamado de “permanent”) ou consultor;
  • (Certamente, não estou me referindo a vagas de cargo gerencial, nem arquitetura, a minha base de comparação é para vagas de analista de negócios e desenvolvimento)

No Brasil, percebi que essa diferença não é tão expressiva, já fiz entrevistas para vagas em bancos, área de saúde (farmacêutica, hospitais, plano de saúde…), fábricas de software, telecomunicações, companhia aérea, entre outras, tanto para consultora quanto CLT e o processo não passou de 1 entrevista no padrão dito acima (avaliação de currículo e/ou prova técnica).

Porém, aqui percebi que os profissionais são muito mais preparados para o processo. Tenho um conhecido que concorreu a vaga de CLT para um banco e foi chamado para 8 fases!

Os bancos são conhecidos por pagar melhor e oferecer bônus (por isso disse que a área de negócio define muito como o processo seletivo será realizado), a notícia boa é que para consultor, eles são bem menos exigentes, em média te chamarão para 3 ou 4 entrevistas.

Nessas entrevistas o profissional provavelmente realizará algumas provas técnicas que podem ser orais e/ou escritas, e pessoas de diferentes setores participarão realizando questões e avaliando o conhecimento.

Serão solicitadas informações bem detalhadas (por exemplo, como o compilador lida com certas linhas de código, como fica a memória, etc) e vão envolver solução de problemas / criação de um novo sistema para testar seus conhecimentos de uma forma completa (desde a interface até o uso do banco de dados).

Em outras áreas de negócio em média serão realizadas 2 entrevistas: Técnica (prova) + apresentação (solução de um determinado problema); e análise de currículo / avaliação pessoal.

Além da estrutura da entrevista, acredito que as pessoas tenham dúvidas de como o entrevistador avalia o seu inglês, por que afinal, a comunicação é importante! Hehehe.

Se o profissional é muito recomendado e é altamente qualificado, a qualidade do inglês não influenciará tanto contanto que a mensagem seja transmitida, para ilustrar, trabalhei aqui com um desenvolvedor que cometia muitos erros gramaticais e demorava consideravelmente pra falar, porém isso não foi obstáculo para obter a vaga e ser importante no projeto.

A minha própria experiência é válida citar, quando realizei a entrevista para ser consultora aqui e comecei a trabalhar, eu somente tinha experiência de 4 meses com inglês na minha vida toda e meu vocabulário era restrito, além de possuir dificuldades no entendimento de diferentes sotaques, o que de nenhuma forma prejudicou o trabalho.

Obviamente, para um cargo de analista de negócios, o profissional será mais avaliado, pois a boa comunicação é essencial com clientes/usuários.

Bom, para finalizar, as dicas importantes para as entrevistas em inglês são:

  • O candidato tentar adaptar o ouvido aos diferentes sotaques (desde o nativo inglês – britânico, americano, australiano, neozelandês… – até o indiano/francês/italiano/etc falando inglês), a probabilidade de um entrevistador ser de diferentes lugares do mundo é muito alta.
  • Se acostumar com expressões específicas da área ditas na pronúncia inglesa, por exemplo, siglas como JDBC, HTML ou nomes como Apache podem criar confusão quando ditos no meio de uma frase.
  • Ser objetivo. Percebi que uma diferença grande em relação aos brasileiros, é que por aqui se vai direto ao ponto, temos a tendência de enrolar um pouquinho e contar a história toda, principalmente se não sabemos a resposta, porém, o melhor é ser sincero e dizer que não sabe.

Se quiserem mais detalhes sobre entrevistas, já sabem, é só me contatar!

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Sobre Thayani Conaggin

De Londres-UK, bacharel em Analise de Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e Técnica em Processamento de Dados pelo Cotuca. Trabalhou na área por aproximadamente 10 anos. Iniciou sua carreira como estagiária no Hospital de Clinicas da Unicamp em 1999 e, desde então, trabalhou com diversas tecnologias, sendo os últimos anos dedicados à programação Java. Devido ao aumento expressivo de empresas internacionais investindo em outsourcing no Brasil, em 2006 resolveu investir na comunicação através do estudo da língua inglesa e devido a isso, trabalhou em projetos para clientes internacionais. Atualmente mora em Londres e após realizar curso de business english assim que chegou no pais, não trabalha por motivos pessoais, porém mantém-se atualizada através de desenvolvimento de websites pessoais. Seus objetivos estão relacionados à área de analise de negócios.

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