Café com TI – DBA X DA 1


Foi numa destas noites de aula onde sempre aparece um aluno que pega o professor meio que de jeito com uma daquelas perguntas capciosas que resolvi por procurar pelo Sylvio no dia seguinte. Sylvio é um dos “experts” em Banco de Dados que me auxiliou a entender melhor o que responder.

Acompanhe conosco mais este café com TI:

Anderson -> Sylvio, qual a diferença entre um Administrador de Banco de Dados (DBA) de um Administrador de Dados (DA)?

Sylvio -> Muitas organizações não reconhecem as diferenças essenciais entre administração de dados e administração de bases de dados. Como resultado, existem muitas confusões sobre esses papéis e suas respectivas responsabilidades.

De maneira geral, cabe à administração de dados gerenciar os dados como recursos de uso comum da empresa, promovendo-lhes os valores de autenticidade, autoridade, precisão, acessibilidade, seguridade e inteligibilidade. Tem como missão o planejamento central, a documentação e o gerenciamento dos dados a partir da perspectiva de seus significados e valores para a organização como um todo.

O Administrador de Dados identifica as dependências funcionais dos dados (relações entre atributos na mesma entidade) e fornece à administração de banco de dados um modelo lógico completamente normalizado. O DBA, entretanto, no processo de implementação, poderá descobrir que os dados refletem dependências funcionais adicionais não descobertas durante a modelagem lógica, ou que a implementação física requer passar por cima de integridade referencial.

O Administrador de Banco de Dados tem a responsabilidade de projetar o armazenamento de dados de forma a atender às necessidades de acesso, sempre tendo em vista o modelo conceitual de dados, incorporando as necessidades atuais e futuras do negócio, com um alto nível de abstração da realidade. O DBA é responsável por todas as atividades que proporcionem o bom armazenamento e funcionamento do ambiente de dados. Além do design, implementação e manutenção dos sistemas, ele é responsável pelas políticas e procedimentos ligados ao gerenciamento, segurança, manutenção e uso dos bancos de dados.

Anderson -> Quer dizer, então, que a figura do DBA está mais ligada em suportar o papel do DA, o qual por sua vez suporta os analistas de sistemas ou de negócios?

Sylvio ->  Se levarmos em consideração de que o DA age mais na parte lógica do processo e o DBA mais na parte física, então a resposta é não.

Os administradores de dados e os administradores de banco de dados cooperam estritamente no gerenciamento da organização dos dados, mas são funções freqüentemente executadas por áreas distintas, o que não quer dizer que o DBA não possa suportar o DA, e vice versa.

Ambos podem suportar os analistas/desenvolvedores, um na parte lógica  /  padronização, o outro na parte física / implementação.

Anderson -> Existem empresas onde o papel do DBA e do DA concentram-se na mesma pessoa. Isto é bom ou ruim?

Sylvio -> Existem sim, mas isso é muito mais comum em pequenas empresas, onde os recursos são escassos ou não conhecem as diferenças entre esses dois profissionais. Em médias e grandes empresas, é mais comum que se encontrem profissionais exercendo um  papel específico. Na minha opinião, um mesmo profissional exercendo essas duas funções não é o ideal, pois no ritmo em que as empresas trabalham atualmente, com uma demanda de projetos muito alta,  é muito difícil que uma mesma pessoa consiga exercer de maneira  “ótima” esses dois papéis.

Anderson ->  Quais as principais tarefas de um Administrador de Dados e qual o caminho para quem quer seguir este caminho? Alguma dica?

Sylvio -> A administração de dados requer uma compreensão concreta do negócio da companhia, não apenas dos aspectos técnicos da interação com o computador. O gerenciamento da informação e o desenho dos dados requerem uma compreensão clara das metas, objetivos e táticas da organização e do mercado em que está inserido.

A modelagem lógica é uma parte da função de administração de dados e é uma responsabilidade em tempo integral daqueles envolvidos no desenvolvimento de um projeto. Frequentemente é incrementada por outras funções de administração de dados, tais como desenvolvimento das definições dos elementos de dados e gerenciamento dos modelos e itens associados no repositório de metadados. Um dos papéis da administração de dados é patrocinar o planejamento e coordenação dos recursos de informação entre aplicações relacionadas e as áreas de negócio. Fazendo isto, a quantidade de compartilhamento de dados pode ser maximizada, e a quantidade de redundância de dados pode ser minimizada.

O objetivo principal da administração de dados é planejar, documentar, gerenciar e integrar os recursos de informação corporativos. Esta integração pode ser alcançada através de uma combinação de perfis refinados e técnicas apropriadas, uso apropriado das ferramentas de Administração de Dados tais como um repositório de metadados e produtos de modelagem, e estruturas de dados logicamente desenhadas.

Anderson -> Uma curiosidade : você começou sua carreira já atuando em  banco de dados ou aconteceu? Você pode compartilhar conosco um pouco da sua trajetória profissional?

Sylvio -> Meu primeiro contato com Banco de Dados, depois da faculdade foi no estágio, em 1992. Na época ninguém queria fazer parte dessa equipe pois a demanda era maior na parte de programação para “mainframe”  e o projeto de Banco de Dados era para plataforma UNIX. Então resolvi arriscar por ser uma coisa nova, e que quase ninguém conhecia. Foi meu início como profissional Oracle. Sorte a minha, pois logo depois fui convidado para trabalhar em uma consultoria como pré-vendas para projetos de Banco de Dados Oracle, onde fortifiquei a base para as tarefas que exerço hoje. Trabalhei muito tempo como desenvolvedor, e desde 2000 trabalho como Administrador de Banco de Dados.

Anderson -> Por fim, gostaria de saber se tem alguma mensagem que gostaria de compartilhar com nossos leitores.

Sylvio -> Se você está mesmo interessado em seguir carreira de DA ou DBA, deve procurar conhecer as ferramentas e funções, além de trocar idéias com alguns profissionais especializados nos vários bancos de dados existentes no mercado.

Profissões necessitam de aptidão. Antes de escolher uma carreira “porque paga bem”, pense primeiro se você tem aptidão para lidar com administração de dados ou banco de dados e está disposto a encarar os desafios dessa profissão. Além do mais, não é todo profissional que “ganha bem”.

Só os que realmente se destacam em suas funções. O mesmo vale para todas as carreiras ligadas à tecnologia.

Anderson -> Sylvio muito obrigado pelo seu tempo e sucesso!

Sylvio -> Quando precisar, e eu puder ajudar, estou à disposição… Obrigado pela oportunidade.

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Sobre Anderson Camargo

De Campinas-SP, bacharel em Análise de Sistemas e pós graduado em Gestão Empresarial (MBA Executivo). Certificado em ITIL, atua como professor do curso de Ciência da Computação na Faculdade Anhanguera Educacional de Campinas.

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