T.I., Meio Ambiente e Sustentabilidade 4


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“Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana……preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais.” – Wikipédia

Baseando-se nesta linha de pensamento e levando em consideração a atual situação do nosso planeta, muitas pessoas, órgãos e entidades estão adotando a palavra Sustentável como que uma filosofia.

A todo o momento estamos ouvindo, lendo ou debatendo temas que apontam para as catástrofes, extinção de espécies e derretimento das geleiras causado pelo famoso aquecimento global e tudo isso, claro, culpa nossa.

Pois é… pisamos mesmo na bola com nossa Terra, erramos e erramos feio em muita coisa… mas… e aí? Continuar passivos, lamentando? Tanta tecnologia, tanta informação disponível… o que de fato nós, adoradores, estudantes, usuários e profissionais de (ou que utilizam) T.I. podemos fazer?

As respostas a esta pergunta são muitas, existem muitas maneiras de contribuir para a diminuição de emissão de gases do efeito estufa na atmosfera, reaproveitamento e uso consciente dos recursos naturais.

Após pesquisas e leituras sobre o assunto, tenho a intenção de reunir informações neste artigo para que as pessoas vejam que gestos simples podem ajudar a salvar nosso planeta.

Para isto, pego como exemplo o uso do microcomputador, seja no trabalho ou em casa, muita gente hoje não vive sem ele.

Este por sua vez necessita de energia elétrica para funcionar e esta é obtida através de usinas que, por mais corretas que estejam às normas, ainda assim causam impactos ambientais (lembre-se que possuímos usinas hidrelétricas, nucleares e termoelétricas em nosso país, esta última utiliza a queima de carvão para gerar energia a partir do calor).

Ok, o meu microcomputador, é claro, necessita de energia elétrica, mas como poupá-la ao máximo?

Simples, comece pelo correto uso de seu monitor, principalmente se ele for dos famosos modelos “tubo”.

Existem dois modelos que mais se destacam no mercado:

Monitores CRT (Catodic Ray Tube), como o nome já diz: monitor de raios catódicos – o tal monitor “tubo” – e os modelos LCD (Liquid Crystal Display), Monitor de Cristal Líquido.

Resumidamente, nos monitores LCD as imagens são geradas quando as substâncias (ou os cristais) recebem cargas elétricas e têm sua estrutura molecular alterada, formando as cores.

Este processo, além de mais econômico em termos de energia elétrica, emite menos calor que os aparelhos CRT.

No caso do primeiro modelo citado, para se gerar imagem, uma quantidade notável de energia é utilizada para que o tubo desempenhe sua função. Isto ocorre porque o tal tubo (que pode ser chamado de Tubo de Crookes) eleva a tensão em seu interior para que um feixe luminoso seja gerado (raio catódico).

Claro que temos que concordar que as resoluções e definições de aparelhos CRT possuem ótima qualidade, mas os modelos LCDs que estão no mercado atualmente possuem qualidade de imagem suficiente para comparar-se aos seus concorrentes.

Substituir seu monitor CRT por um modelo LCD, além de proporcionar uma economia de aproximadamente 60% em energia elétrica, reduz também a emissão de CO2 na atmosfera.

Outra vantagem do LCD é que este é menos nocivo ao olho humano, já que a radiação eletromagnética é quase, senão nula, neste modelo.

Agora, se mesmo assim você quer continuar a utilizar seu aparelho CRT, seja por opção ou por falta de verba para comprar um modelo LCD, aqui vão algumas dicas para que você seja um “micreiro-verde”:

* Extermine seu protetor de tela (screensaver): muitas pessoas simplesmente ignoram o fato de que estão desperdiçando energia elétrica quando deixam o monitor ligado sem utilização por muito tempo. Isto é relevante, pois o monitor é responsável por até 80% do consumo de energia elétrica do PC.

* Desligue o monitor caso seu almoço seja demorado: quando ligamos o aparelho CRT, este necessita de muita energia elétrica para estabilizar a imagem. Esta energia é equivalente ao gasto do monitor ligado por aproximadamente 30 minutos.

Sendo assim também não compensa desligar e ligar seu monitor a cada vez que você vai ao banheiro. Faça um cálculo de quanto tempo você ficará ausente, se este for prolongado, aí sim desligue o aparelho.

* Fique frio: monitor ligado é sinônimo de aumento de temperatura no ambiente, pois o processo que estes aparelhos executam para gerar a imagem transforma parte da energia elétrica em calor. Consequentemente temos mais ventiladores ou condicionadores de ar para manter o ambiente agradável e isto significa mais consumo de energia elétrica.

* Faça vista grossa: não é só com o consumo que temos de nos preocupar, mas também com nossa saúde. Evite trabalhar no micro por longos períodos sem uma pausa, além de prejudicar as mãos e os braços (L.E.R.), os olhos também sofrerão pela exposição prolongada (CVS – Computer Vision Syndrome).

Mantenha uma distância de pelos menos 50 cm da tela e certifique-se de que esta esteja posicionada abaixo do nível dos olhos (20º é o ideal).

Outra dica importante é a de que devemos sempre estar utilizando o microcomputador em locais com boa iluminação, pois as pupilas de nossos olhos tendem a dilatar em baixa iluminação, deixando-os mais vulneráveis aos raios emitidos pelo aparelho.

Bom é isso aí, espero que tenham gostado do artigo, apenas quis compartilhar o conhecimento que obtive.

Afinal, T.I. é isso: educação e informatização, para que nosso mundo seja mais justo, democrático e principalmente habitável.

Até a próxima;

Gabriel Domingues

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Sobre Gabriel Angeli

De Campinas-SP, graduado em Análise de Sistemas pela Universidade Paulista. Atua como desenvolvedor líder em uma empresa de consultoria e desenvolvimento de sistemas E.R.P. Gabriel é fanático por games e também adora animação digital, ficção científica e ufologia.

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4 pensamentos em “T.I., Meio Ambiente e Sustentabilidade

  • Rhutênio

    Sustentabilidade – Um Ensaio de Prospectiva 😛

    Vivemos em plena era do fracasso do paradigma oficial de desenvolvimento e da ideologia dominante. Antes, afirmava-se que era preciso primeiro fazer crescer o bolo, para depois distribuí-lo. Hoje, com a bolsa de valores sendo considerada indicador de progresso, o bolo não cresce mais e nem se sabe o que produzir e para quem?

    O impasse criado nas políticas oficiais requer a construção de um novo modelo de transformação social, baseado na cooperação e solidariedade e com a participação da população, na concepção, execução e avaliação dos projetos.

    O discurso e a prospectiva oficiais assumem os objetivos e metas do progresso técnico como verdades ou certezas inquestionáveis por serem supostamente derivados das leis da evolução natural. A realidade social, todavia, é complexa e contraditória e mesmo os objetivos e planos puramente técnicos refletem interesses e valores de grupos sociais em campos diferentes.

    Nestas condições, seria pretensioso considerar o exercício da prospectiva equivalente à previsão do futuro. Políticos e tecnocratas procuram obter uma visão do contexto futuro, para melhor adequarem suas decisões. Mas, estimativas baseadas em extrapolações da taxa de câmbio, da inflação, dos juros e suas oscilações constantes evidenciam o caráter altamente equivocado e perverso dessa prospectiva oficial. Em vez de bancarmos o papel de futurólogos cujas predições não ultrapassam o trivial, devemos procurar explorar futuros alternativos, admitindo explicitamente a existência de certas precondições, consideradas como partes do próprio futuro provável e desejável. Não se trata de uma visão romântica de um futuro “a priori”, ainda inexistente. Ao tentarmos inventá-lo, nossos pressupostos sobre o que deve acontecer mesclam-se com as premissas sobre o que pode e o que vai acontecer.

    As incertezas e a insegurança presentes em nosso cotidiano transformam a vida em um pesadelo cheio de contradições, de instabilidade e de interrogações. Face aos problemas e aos desafios aparentemente insolúveis, os indivíduos perdem a confiança em si, nos outros e no governo da sociedade. Onde encontrar orientação para antecipar e prever o futuro, uma aspiração da humanidade tão antiga quanto sua existência no planeta? Nem o fatalismo religioso, nem o determinismo científico foram capazes de fornecer respostas satisfatórias aos anseios de escaparmos da situação de caos. Afinal, aonde vamos?

    A penetração da racionalidade econômica e tecnológica em todas as esferas da vida, potencializada pela globalização, em vez de aclarar o horizonte tem agravado os riscos de acidentes ecológicos, de conflitos armados e de ameaças de desequilíbrios dos ecossistemas, até a entropia irreversível. Impelido pela dinâmica de acumulação e reprodução do capital em escala global, o tão almejado crescimento econômico provoca a destruição das condições ecológicas da sustentabilidade, ao estimular o consumo insaciável de recursos naturais e gerar emissões tóxicas que provocam o aquecimento global.

    A racionalidade econômica baseada numa pseudociência mecanicista constitui o desafio mais sério para uma governança responsável da vida e da segurança do planeta. O processo de globalização introduziu em todos os cantos da terra a racionalidade técnica e econômica do mercado, com efeitos que transcendem a nossa capacidade de controle dos fenômenos reais. Seus impactos resultam em descontrole dos acontecimentos, inclusive os desastres ecológicos e a degradação sócio-ambiental, manifesta sob forma de pobreza, desequilíbrios, insegurança e conflitos.

    A incapacidade da ciência para prever e antecipar as catástrofes e para desenvolver uma gestão racional dos riscos nos leva a postular a superação do modelo convencional, linear e cartesiano, a fim de desenvolver um método capaz de enfrentar as incertezas e orientar políticas públicas para um processo de tomada de decisões participativas. Isso permitiria a abertura de um novo campo de estudos visando o controle social das aplicações de tecnologias, com o objetivo de antecipar e conter os impactos negativos das tendências dominantes nos processos desencadeados pela racionalidade instrumental.

    A realidade tem desmentido as predições da maioria dos cientistas, a ponto em que hoje, formular políticas visando a sobrevivência das espécies e do planeta, exige a aplicação do Princípio de Precaução, para enfrentar os riscos ecológicos. Este aparece como um recurso de sensatez diante a cegueira de uma racionalidade econômica instrumental que se pretende onisciente. A prospectiva convencional, como arte e método de perscrutar o futuro e para evitar catástrofes não consegue equacionar as causas e propor alternativas.

    Os modelos de simulação servem para construir cenários baseados num raciocínio do tipo ”se tal fenômeno ocorrer, produzirá tal efeito”, baseando-se em correlações e interdependência de processos conhecidos. Estudiosos que se debruçam sobre as probabilidades de ocorrência de certos fenômenos, procuram oferecer alternativas além da mera extrapolação de fatos e tendências, recorrendo à História e a analogias. Esses exercícios oferecem a oportunidade de construir uma nova racionalidade, em oposição à racionalidade econômica hegemônica que impede mudanças e cerceia alternativas. O conceito de sustentabilidade – sistêmica, interdisciplinar e interdependente – permite pensar uma racionalidade alternativa, baseada em outros modelos de desenvolvimento.

    A globalização dos mercados e o pragmatismo de curto prazo não permitem aos políticos e tomadores de decisão incorporar resultados de estudos sobre os riscos ecológicos. A fé cega na “mão invisível” e nos mecanismos de mercado desqualifica qualquer previsão fundada na ciência e nos valores diferentes daqueles da racionalidade dominante. Assim, as previsões do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas não afetam as certezas dos economistas. O Princípio da Precaução, formulado na CNUMAD Rio-92 não passou de um juízo moral marginal entre os critérios para a tomada de decisões sobre políticas econômicas.

    Nas discussões sobre a sustentabilidade do planeta se enfrentam as prioridades atribuídas à globalização e aos processos de degradação do meio ambiente. O economicismo dominante tende a minimizar ou desacreditar a importância do aquecimento global, da conservação da biodiversidade e da preocupação com o bem-estar de toda a humanidade. Assim, as advertências do Painel Internacional e do Worldwatch Institute estão sendo ignoradas e suas propostas de caminhos alternativos acabam sendo descartadas por serem “irrealistas”. Mas, diante a iminência dos riscos ecológicos, as perspectivas da sustentabilidade não se limitam à previsão de catástrofes ambientais. Ao questionar o fatalismo determinista, a prospectiva procura induzir a reversão de processos insustentáveis, colocando a razão a serviço da análise de alternativas e louvando-se no potencial ecológico e na diversidade cultural do planeta.

    As últimas conferências mundiais – a Cúpula do Milênio, em 2000; e a Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, em 2002 –, não avançaram na elaboração de programas e projetos alternativos, confiando mais nos mecanismos do mercado e no financiamento internacional. A prospectiva ambiental implica na desconstrução dessa racionalidade e a construção de outra, muito além de modelos e de jogos de simulação e que coloque a preocupação com o ser humano no centro de todas as políticas. A construção de uma sociedade sustentável requer a vontade de poder para desconstruir o caminho que leva à entropia e para construir uma realidade que acene com um devir desejável. O futuro se apresenta como um projeto a ser construído, ancorado numa racionalidade de valores, ou substantiva, como diria M. Weber.

    O desmoronamento das certezas e da capacidade de controle do sistema atual enfraqueceu o poder de previsão de eventos futuros. A legislação ambiental aparece como uma defesa tardia, reativa e incompleta diante o impacto devastador de processos de espoliação dos recursos naturais que ameaçam a segurança ecológica do planeta. A alternativa exige romper com o poder de monopólios e de sistemas autoritários, abrindo espaço para a construção de uma sociedade baseada na diversidade cultural e na democracia participativa.

    O atual modelo gera e estimula um processo de crescimento baseado no consumo ilimitado de recursos e na destruição paulatina das condições ecológicas de sobrevivência.Mesmo controlando o crescimento da população por políticas e mudanças culturais, a racionalidade econômica do sistema capitalista não oferece mecanismos internos de equilíbrio e estabilização, na corrida cega atrás do crescimento que arrasa o meio ambiente.

    Portanto, não se trata de ficção, nem de uma visão romântica – queremos desenvolver propostas de um futuro possível e desejável, em oposição ao mundo frio de fórmulas econométricas, e de jogos de simulação que transformam a realidade percebida numa imagem fantasmagórica e a vida das pessoas em um pesadelo sem fim.

    😎

  • Edson Mar

    Boa iniciativa.

    Complementando o que o Gabriel escreveu, os monitores LCD também não tem muito aquelas distorções geradas pelo flicker que acontece qdo o monitor tubo está configurado errado.. com frequencia mais baixa do que ele suporta.

    abração!!!