Computeiros, Zumbis e Submarinos 3


Computeiro e Code Monkey

Computeiro e Code Monkey

A capacidade cognitiva humana vai muito além daquilo que fazemos hoje.
Muito da nossa limitação está no meio de representação dos nossos pensamentos.
Somos limitados pela tri-dimensionalidade do espaço, pelo nosso corpo e principalmente pelo nosso meio de expressão verbal.

Pensamos em imagens em movimento de várias dimensões que são mapeadas em
uma linguagem relativamente pobre com relação à sua capacidade de representação.
Os poetas, pintores, escultores, físicos (e alguns matemáticos), etc, ainda conseguem ir um pouco além do ser humano médio.

Algumas vezes eu me questiono se esta capacidade ampliada dos artistas não é a causa do sentimento de frustração que permeia o meio artístico uma vez que dá a eles uma melhor percepção de nossa pequeneza.

A onipresença da tecnologia nos permite pensar mais e melhor.
Novos meios de representação surgem a cada dia e pensa melhor aqueles que
sabem usá-los.

Certa vez na Austrália ao fazer um passeio ao museu marítimo em Freemantle, um guia turístico (ex-marinheiro) disse que há dois tipos de embarcações:
submarinos e “targets”.

Fazendo uma analogia, no mundo moderno há dois tipos de pessoas:
os “computeiros” e os “zumbis”.

Os computeiros são aqueles que, para se expressar, são capazes de alterar o meio de expressão. Eles são capazes de fazer o que querem, pois dominam além da linguagem humana, a linguagem computacional, ou seja, controlam o meio pelo qual se expressam.

* Quando o computeiro quer se expressar e o texto não é suficiente, ele usa um hiper-texto.

* Quando o hiper-texto é pouco, ele inventa outra coisa.

* Quando ele quer gravar algo e falta espaço em disco, ele faz um link simbólico ou muda a tabela de partição.

* Quando algo não acontece como ele quer no computador, ele muda as regras e recompila o kernel.

* Quando o problema não tem solução com as ferramentas existentes, ele acha outra ou recria ou modifica as ferramentas existentes.

Em outras palavras, quando o sistema não permite fazer algo, o computeiro altera o sistema ao invés de deixar de fazer. Talvez seja por isto que os computeiros adoram o software aberto. Soluções fechadas não permitem a plena expressão do intelecto computeiro.

Por outro lado, os zumbis são aqueles que são escravos do computador.
Se o sistema não permite, ele não faz.
Muitas vezes ele nem percebe o que não consegue saber porque ele não sabe o que ele não sabe (Homo non-sapiens non-sapiens).
Por melhor que eles usem os recursos que lhe são fornecidos, sua capacidade de atuação está limitada pelos programadores do sistema que ele usa.
Eles são “targets”, computeiros são “submarinos”.

Infelizmente temos constatado que há toda uma nova geração de computeiros que estão saindo da linha de produção com defeito.
As escolas tem criado submarinos que não afundam. Estas pessoas não tem curiosidade científica, não sabem o que elas não sabem e não percebem a capacidade que elas tem de mudar o ambiente no qual elas se expressam.

Sabem o mínimo do mínimo. São os “code monkeys”
(
http://en.wikipedia.org/wiki/Code_monkey).

Hoje, as empresas preocupadas em crescer precisam de computeiros verdadeiros e principalmente aqueles que são computeiros-poetas e computeiros-filósofos, ou seja,
aqueles que sabem como as coisas funcionam e sabem aproveitar as brechas, modificar o que já existe e criar coisas novas.
Você também quer ou tem preguicinha de pensar?

Escute a música
http://www.ijigg.com/songs/V2BG0DGDPAD
e reflita um pouco sobre o assunto.

Escrito por: R.G

Adaptado por: Eduardo Gonçalves

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Sobre Eduardo Costa

De Campinas-SP, bacharel em Sistema de Informação pela Anhanguera Educacional e pós graduado no curso de MBA em Gestão de Projetos e Metodologia do Ensino Superior. Atualmente trabalha como arquiteto e desenvolvedor Java em empresa de desenvolvimento de software de suporte a tomada de decisão, além de ministrar aulas de Orientação a Objeto, Linguagem Java e XML. Já atuou como líder técnico, coordenador de produto e analista de negócios.

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3 pensamentos em “Computeiros, Zumbis e Submarinos

  • Fernando Fonte - Dim

    Pois é. Não sei se perceberam que só tem homens escrevendo aqui no Dimensão Tech.

    Não tem nada a ver com machismo e sim com a falta de interesse na área de TI pelas mulheres.

    Estou na área porque realmente amo o que faço, mas ao convidar uma colega para escrever aqui, recebi a seguinte resposta: “Penso em informática das 8:00 as 18:00. Depois disso não quero nem ouvir falar dela.”

    Certo que não podemos generalizar e observar isto somente pelo lado dos profissionais do sexo feminino. A maioria dos jovens que estão cursando hoje faculdades de TI, não fazem idéia do porque estão lá. Alguns se limitam a dizer: “É uma boa área.”

    Com isso, os “targets” só estão aumentando. Fico triste em ver isto através dos olhos de um amante da TI, porém, depois de ouvir muito desaforo ao tentar alertá-los, larguei mão. No final das contas, eles serão “um profissional” a menos para competir comigo no mercado de trabalho.

  • Diogo Vernissi

    Zumbis… é impressionante a taxa com a qual esses se reproduzem. pessoas sem nenhuma criatividade, robozinhos… programados pra fazer o que se deve fazer das 9 as 5 e absolutamente nada mais… mas lembrem-se, sem os zumbis o mundo seria muito mais frenetico e dinamico. se a vida já é concorrida da maneira que é, imagina se todos fossem computeiros originais, empreendedores, criadores! seria uma guerra.

    Submarinos, trate bem seus zumbis, eles sao as abelhas operarias nessa grande colmeia que é o nosso mundo.