Café com TI – Caderno Digital
Patricia Azevedo, jornalista do Caderno Digital do Correio Popular de Campinas, concedeu-nos uma entrevista falando um pouco de como é estar do outro lado da moeda, ou seja, escrevendo conteúdo de tecnologia para o jornal.
Texto rápido e curto de valor bastante interessante. Vale a pena conferir conosco:
Anderson Camargo -> Patricia, muitas vezes quando entro na sala de aula me deparo com alguns alunos lendo/folhando um caderno ou revista de informática. Como é estar do outro lado, ou seja, escrevendo este conteúdo que é lido por uma porção de pessoas aficionadas por tecnologia? É difícil?
Patricia Azevedo -> É muito complicado para mim porque não sou uma inciada em informática. Sou completamente leiga, vou aprendendo conforme faço as entrevistas, leio e pesquiso. É o maior desafio da minha carreira de jornalista. Já cobri as áreas de Saúde, Polícia, Ciência e Economia, mas a maior dificuldade é escrever sobre tecnologia. Acho que isso ocorre porque o leitor do caderno é geralmente um público iniciado, aficionado mesmo, o que torna a pressão muito maior.
Anderson Camargo -> Existem pessoas técnicas em informática que te assessoram na redação final das matérias que desenvolve ou você mesmo valida?
Patricia Azevedo -> Não, infelizmente não temos assessoria técnica para o fechamento das reportagens. Tenho uma editora que analisa e corrige os textos, mas ela é uma jornalista e, como eu, leiga no assunto. Quando a matéria é muito técnica eu costumo encaminhar o texto para um dos entrevistados avaliar e corrigir. Às vezes recorre a alguém da área de TI da redação para sanar as dúvidas, mas é o máximo que posso fazer.
Anderson Camargo -> De onde vem as ideias para elaborar as reportagens? Tem alguma fonte em especial que te indica os temas de maior relevância onde é certo cativar a atenção do leitor?
Patricia Azevedo -> As pautas são geralmente definidas por mim e pela minha editora. Leio os sites de tecnologia diariamente e procuro notícias que sejam mais adequadas ao leitor do Correio Popular. Eu pessoalmente acredito que as pautas devem ser mais leves, curiosas para que todo o público possa ler. Gosto de imaginar que o leitor do Digital é uma pessoa curiosa que gostaria de saber como funciona a tecnologia por trás de várias coisas. Acho que é atraente saber como a tecnologia pode facilitar a vida de médicos, policiais e chefes, por exemplo. Acredito também que o iniciado vá buscar informações mais técnicas em revistas e sites especializados.
Mas seria muito interessante receber dicas dos leitores. Sinto falta de uma participação maior do leitor neste caderno.
Anderson Camargo -> Atualmente existem muitos blogs na internet que tratam do assunto tecnologia (e outros assuntos também). Você acredita que este tipo de mídia concorre com os tradicionais meios de comunicação como o próprio jornal?
Patricia Azevedo -> Não acredito que concorram porque a credibilidade de alguém desconhecido não é a mesma de uma empresa de comunicação. A internet tem muita informação e muita informação errada também. É importante que o leitor saiba filtrar. Eu, pessoalmente, prefiro sempre informações que estejam ancoradas em empresas sérias. Mas tudo é uma questão de credibilidade. Se a fonte for confiável, tá valendo. Os blogs são um importante meio de comunicação. Acho que eles funcionam mais como um diário em que a pessoa pode desabafar e opinar muito mais do que informar. É um lugar em que você pode ver novas visões do mundo. Não acredito em tudo que leio nos blogs.
Anderson Camargo -> Por fim, qual é o caminho para quem sonha em ser um repórter de um caderno de tecnologia ou mesmo uma revista especializada no assunto. Qual a sua recomendação?
Patricia Azevedo -> Apesar do ministro Gilmar Mendes ter derrubado a obrigatoriedade do diploma, acredito que um jornalista deve passar pela faculdade. Um bom advogado, professor ou historiador, por exemplo, podem não ser um bom repórter ou editor. Acredito que o profissional da tecnologia possa dar uma valiosa contribuição escrevendo artigos (O Digital publica toda semana artigos sobre tecnologia, é só mandar para patricia.azevedo@rac.com.br) e concedendo entrevistas. Mas se eles desejam escrever, têm que ler muito e ter sempre em mente que estão escrevendo para leigos (no caso dos jornais). Ouvir o maior número possível de fontes é fundamental para qualquer reportagem. Paciência é fundamental para encontrar essas fontes e a timidez deve ficar em casa, porque um bom jornalista não pode ter vergonha de abordar as pessoas.
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1 Comentário »
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Essa entrevista me fez lembra que o conceito “O outro lado da moeda”, também acontece conosco ( profissionais de tecnologia ), especificamente os Analistas/Desenvolvedores de software, no quesito de compreender a necessidade do cliente para em seguida montar uma SOLUÇÃO “SOFTWARE” que o atenda.
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Observacao: Qdo digo montar uma solução que o atenda, estou me referindo a um software criado exatamente do “JEITNHO” que o cliente pediu. Esse é nosso desafio e existem métodos e cursos no mercado para ajudar os que possuem dificuldades.
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Parabéns pela matéria e parabéns a Patrícia por se aventurar neste mercado que tanto adoramos.
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[]s
Rodrigo Cantarella Teixeira
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