Café com TI – A visão de um Headhunter

Uma das perguntas mais difíceis de responder que me deparo junto aos alunos sempre diz respeito ao como conseguir o primeiro emprego. Desta vez fui atrás de um “Headhunter” na esperança de ser mais assertivo. Caio Abreu, um especialista no mundo de Recursos Humanos vai nos ajudar.

Aproveitem as dicas !

Anderson -> O primeiro emprego é sempre um desafio. Para quem ainda não atua em informática e quer entrar no mercado pior ainda. Qual o melhor caminho para quem encontra-se nesta situação?

Caio Abreu -> Normalmente a melhor forma de se encontrar uma colocação em uma área específica é já ter algum tipo de experiência nela, experiência que pode ser conseguida em um estágio, por exemplo. Além disso, para identificar oportunidades no mercado é importante ter uma rede de contatos bem estruturada na área que lhe interessa, conhecendo profissionais da área de informática e fazendo parte de grupos de estudo, webgroups e frequentando congressos e cursos que tenham pessoas atuantes na área.

Anderson -> Existe algum “modelo” ou “checklist” que os candidatos à uma vaga ao primeiro emprego  devem seguir? Tem alguma receita pronta?

Caio Abreu -> Não há receita pronta. A diferença entre os perfis exigidos variam muito de empresa para empresa, de setor para setor. No entanto, na maioria das vezes, é possível identificar sem muita dificuldade quais as exigências de uma posição. Dessa forma, os candidatos podem entender o que será pedido deles e se preparar para tal. O bom senso é a melhor arma dos candidatos.

Anderson -> Muitos alunos se queixam que quando falamos de vagas para estágio as empresas buscam experiência profissional em alguns pontos específicos que somente são conseguidos com aqueles que já atuam em informática. Como se sair numa entrevista se o cenário assemelha-se a esta situação como esta?

Caio Abreu -> A grande exigência de conhecimento para perfis juniores e de estágio é um reflexo do mercado de trabalho onde, cada vez mais, uma pessoa deve arcar com diversas funções e, por consequência, deter mais conhecimento. No entanto, se a pessoa está sendo convidada a fazer uma entrevista, é porque o avaliador identificou no perfil dela todos os elementos básicos necessários para a sua participação no processo. Se, mesmo assim, durante a entrevista surgirem perguntas relacionadas a um conhecimento específico, não se deve inventar ou mentir para tentar conseguir uma “melhor resposta”; pois eventualmente esse conhecimento será testado.

O que pode ser feito é discursar brevemente sobre o que o se conhece sobre o tema para que possa ser identificado que o assunto não é alienígena para o entrevistado.  Preparar-se para isso é sempre uma boa ideia, levando em conta que já se saiba que tal assunto é importante para a posição visada.

Anderson -> A lei de estágio trouxe alguns benefícios interessantes aos candidatos porém, tem diminuído a oferta de vagas. Isto é um fato ou boato na mídia? Que relação tem isto associado com a atual situação econômica do país?

Caio Abreu ->Infelizmente minha linha de trabalho se afasta um pouco das vagas com perfil de estágio. As informações que tenho são, provavelmente, as mesmas encontradas por quem buscar na mídia e algumas delas afirmam, sim, que a oferta de vagas para estágio diminuíram de 50% a 60%, mas colegas de profissão apontam que isso acontece de fato. Isso faz sentido especialmente tendo em conta o cenário econômico mundial: Um estagiário não é um profissional formado e precisa ser treinado para que possa obter resultados em uma situação específica. Claro que seu nível salarial é mais baixo, deflagrando uma situação de troca (onde a empresa paga uma bolsa auxílio para ele e o ensina uma função, ao mesmo tempo que o estagiário se propõe a executar essa função com ganho para a empresa) e a carga horária máxima de 6 horas determinada por lei. Com a necessidade de cortar custos, as empresas parecem ter chegado à conclusão de que manter um funcionário que consiga realizar uma função mais ampla, e cumprir com uma carga horária de 8 horas, traria um resultado que seria economicamente mais interessante para ela.

Anderson -> Você acredita que a situação econômica mundial venha afetar o mercado de profissionais de informática de forma positiva ou negativa? Qual a tendência que vem observando nestes últimos meses?

Caio Abreu -> Não acredito que a crise venha a afetar nenhuma classe de profissionais de forma positiva. Perceba bem que eu disse classe de profissionais, e não os profissionais de uma área (informática, recursos humanos, financeiro) dentro de um segmento específico (alimentos, autopeças, farmacêutico). Na média, a crise terá um impacto no grupo de profissionais de forma negativa, fazendo com que oportunidades surjam com mais dificuldade e promoções / valorizações de salário se tornem menos comuns.

Anderson -> Por fim, qual o melhor canal para buscar o primeiro emprego em informática para um recém-formado?

Caio Abreu -> Existem alguns portais de renome: para informática costumo utilizar o Infojobs e o TI Jobs. É importante frisar, no entanto, que apenas 15% das oportunidades de trabalho são conseguidas a partir de divulgações como essas. O restante é conseguido através da rede de relacionamentos de um candidato, que é capaz de identificar oportunidades escondidas no mercado por meio de seu relacionamento com pessoas que possam vir a ter contato com elas.

Anderson -> Caio muito obrigado pelo seu suporte e até a próxima!

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Sobre Anderson Camargo

De Campinas-SP, bacharel em Análise de Sistemas e pós graduado em Gestão Empresarial (MBA Executivo). Certificado em ITIL, atua como professor do curso de Ciência da Computação na Faculdade Anhanguera Educacional de Campinas.